0356 - Hey Hey, My My (Into the Black) - Chromatics [2012]

Em 1959, no dia três de fevereiro, um avião caiu e seus três passageiros morreram. Eram eles: Buddy Holly, Ritchie Vallens e e JP The Big Popper. Três ícones do rock, quando esse estilo ainda era uma criança. Esse evento ficou famoso como “o dia em que a música morreu”. No caso, o rock morria. Estupidez! Balela! O rock não pode morrer. Quem disse isso é o padrinho do grunge, Neil Young. Um canadense nascido em 1945 e com uma vida dedicada as boas causas e ao rock.

Into The Black é um hino. Canção é um nome bonito pra serestas, músicas pops e demais. Isso aqui é um cântico do Rock ‘n Roll. Esse é o refrão que você esbraveja na festa, no pub, no bar, com um copo de cerveja morna na mão e o relógio marcando pra lá das três da manhã.

Hey, hey, My, My, / Rock ‘n Roll can never die” é um grito com um riff simples e acordes básicos. Qualquer um que esteja iniciando sua vida num violão pode defender sua posição sem dificuldade, puxar o coro e comandar toda uma legião.

Quem ouve não hesita em acompanhar.


There’s more to the picture, than meets the eye” – essa frase representa bem essa versão feita pelo Chromatics.

Oasis, Pearl Jam, Dave Mathews Band e outros grupos de rock já tocaram esse hino. Sempre há uma preocupação por parte do músico de manter a integridade do hino, para não perder sua força, sua característica principal. Afinal de contas, esse é o hino do grito.

Não foi o que o Chromatics fez. Esse grupo trouxe uma guitarra, manteve o riff e seus acordes, pôs seus efeitos e batidas eletrônicas e deu à música a lentidão de uma marcha por liberdade.

Como homens e mulheres que dão as mãos e tomam avenidas, como minorias que defendem seus direitos, essa versão de 2012 traz em si a característica do hino que ecoa. É um grito por liberdade de quem busca mais do que defender o que já tem, de um povo que luta para reconquistar sua voz, seu som. Não poderia ser diferente. Tinha que ter vindo de uma banda de som eletrônico. Logo dali, onde menos se espera, é de onde sai O hino. Não é uma heresia, é uma afronta de quem defende o que não é seu, pelo bem maior.

Se diferente fosse, não seria condizente com a história de Neil Young, esse canadense que criticava o preconceito praticado da região sul dos Estados Unidos, onde o negro era destratado - inclusive trocando farpas com o Lynyrd Skynyrd.

Esse cantor atravessa fronteiras, levanta bandeiras para defender o que acredita, sempre pensando em bens maiores. Ele é o padrinho do grunge, irmão do rock, pai do hino que manifesta nosso desejo de imortalizar aquilo que amamos.

Eu falei de tanto, disse muito e nem precisei mencionar a história de Johnny Rotten. Vejam só...


Armando Moya

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