0323 - Don't Stop Believin' - Badly Drawn Boy [2007]


É óbvio que não existe uma fórmula perfeita para compor um rock. Aliás, não existe fórmula para compor qualquer tipo de música. Mas, se tivéssemos que escrever uma receita de como fazer um bom rock, algumas canções deveriam ser utilizadas como templates, como por exemplo, Don’t Stop Believin’ do Journey.

Essa música tem toda a panca de um bom rock. Logo de cara, Don’t Stop Believin’ se apresenta vibrante, com a guitarra base combinando com os acordes de teclado.  Em seguida, entra o vocalista, inspirado e em boa forma vocal, cantando num timbre alto e único, muito bem afinado com a música. Somando-se a isto, riffs de guitarra portentosos e letra com praticamente dois refrões grudentos.
 
Falando assim, pode parecer uma música comum, um “mais do mesmo”. Mas a magia da música se encontra aí: sua simplicidade de 4 acordes e uma letra que transmite uma mensagem positiva é até hoje adorado pelo público do mundo inteiro, mesmo tendo sido lançada no já longínquo ano de 1981.


Para reinterpretar um sucesso como Don’t Stop Believin’, é preciso ser roqueiro, correto? E para ser roqueiro, é preciso ser headbanger, com cabelo comprido e vestir calça e jaquetas de couro preto, certo? Na verdade, estas afirmações são verdadeiras falácias e pouco aplicáveis no caso de Don’t Stop Believin’. O êxito desta canção de Steve Perry e cia. ultrapassou o mundo do rock há tempos e se tornou universal. Nos últimos anos, do casting do seriado Glee, passando o trio norte-americano juvenil Boyce Avenue, até a cantora Shirley Bassey, todos produziram versões e obtiveram sucesso com Don’t Stop Believin’. 

Se fosse condição sine qua non ser roqueiro para reinterpretar Don’t Stop Believin’, além dos artistas supracitados, talvez o badly drawn boy Damon Gough também estaria inapto a produzir um cover para este clássico do Journey. Afinal, Damon (cuja alcunha é Badly Drawn Boy ou em português chulo, o Garoto Só o Pó), quase sempre vestido com jaqueta jeans, barba por fazer, gorro enfiado na cabeçorra, tímido e que pouco sorri, está bem distante do que podemos preconceber como roqueiro.

Entretanto, este badly drawn boy é bem mais roqueiro do que muitos imaginam. Multi-instrumentista, toca de tudo, principalmente piano e guitarra.  É fã declarado de Bruce Springsteen e Beach Boys. Mesmo sem panca de rock star, Damon já gravou versões para o clássico Come On Eileen do Dexys Midnight Runners e I Wanna Be Adored do Stone Roses.

E em meio a canções mais sensíveis, baladas que falam de amor e esperança, como é o caso da faixa Promises (do seu disco Born In The U.K. de 2007), Badly Draw Boy consegue dar o ar da graça de sua vertente mais hard rock, colocando uma empolgante versão ao vivo de Don’t Stop Believin’ como lado B no single desta faixa.


Portanto, assim, como não existe fórmula para fazer um bom rock, também não existe um estereótipo perfeito para ser roqueiro e reinterpretar um bom rock.
 

Persiolino

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